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Uma história como outras mil histórias
Era sábado à noite, uma noite gelada de julho. Se estou contando isso é porque não consegui esquecer. Talvez não esqueça nunca. Esperava o namorado em frente a uma barraquinha de pipocas; em frente ao Lumière; enquanto aguardava a volta do namorado e dos ingressos para o filme, o velhinho apareceu. Sujo, amarrotado, um Joe Gould dos trópicos. Mendigos se parecem em todos os lugares do mundo, pensei. Mas este era diferente; não pediu nada a ninguém; uma madame comprou pipoca, um casal também. O velhinho mendigo continuou ali, paciente, sentado em frente a um enorme banco, império das riquezas e dos gerentes sem alma. Mas era sábado à noite, de modo que ninguém o expulsou. Então eu tiritava de frio, apesar do casaco de couro, da echarpe de lã; e ele ali, o velhinho, me olhou. Retribuí. Então ele sorriu, e tinha os olhos mais doces do mundo. Tirou das suas coisas uma sacolinha branca de supermercado, amarrotada e suja. E falou com o pipoqueiro que, gentil, encheu a sacola do velho mendigo com pipocas. As mesmas que iam alimentar a madame, o casal de namorados e, logo em seguida, também eu. Engoli em seco. O velhinho mantinha a sanidade e uma certa dignidade por trás do cobertor sujo. Novamente, me olhou e sorriu. E me disse: boa noite! Sorriu novamente, encantado pela minha resposta ao cumprimento. Depois, sentou na frente do banco, enrolou-se e começou a comer as pipocas, entre feliz e envergonhado. Eu engoli em seco, novamente. Pensando na virtude do meu belo casaco, no abraço quente do meu namorado, na cama quentinha que me esperava. Triste. O céu tinha estrelas, as mesmas que eu e o pobre senhor enxergava, também. A luz fraca da noite era nossa. Tão minha quanto dele quanto da madame quanto do casal de namorados quanto do pipoqueiro generoso. Mas não tive coragem de me olhar no espelho, depois. Podia ser qualquer um de nós ali. E a noite continuou fria e escura e, talvez, mais triste.
Escrito por Luciana M. às 18h47
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Lisbela e o Prisioneiro
Um dos filmes mais fofos que vi nos últimos tempos. Acho que vale a pena fazer uma visitinha no cinema mais próximo. Ou no mais longe, pra passear um pouco.

"Agora, que faço eu da vida sem você? Você não me ensinou a te esquecer Você só me ensinou a te querer"
Escrito por Luciana M. às 14h58
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O tempo passa
E de repente a gente percebe que conhece nossos amigos há mais de dez anos. E que alguns amigos agora são papais e mamães fofos, com filhos mais fofos ainda. E que outros amigos continuam a percorrer caminhos inusitados mas, ainda bem!, ninguém parou. Se estamos ficando velhos? Acho que sim. Mas é assim que a vida caminha, é isso o que dá graça: você envelhece, mas seus amigos envelhecem com você. E todo mundo aprende coisas, e muda. Estou surpresa. Mas foi um dos domingos mais legais da minha vida!
Escrito por Luciana M. às 19h28
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Ah, Portishead!
Quanto tempo não ouvia minha banda predileta!
"I´m so tired of playing playing with this bow and arrow I gonna give my heart away leave it to the other girls to play for I´ve been a temptress too long... just give me a reason to love you give me a reason to be a woman"
(Glory Box - Portishead)
Escrito por Luciana M. às 23h10
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E Clarice é tudo
Meu Deus, este texto até me arrepia! Esta mulher não existia....
"ANIVERSÁRIO Começou a cantar, interrompeu-se e disse: - Estou cantando em minha homenagem. Mas, mamãe, eu não aproveitei bem os meus dez anos de vida. - Aproveitou muito bem. - Não, não quero dizer aproveitar fazendo coisas, fazendo isso e fazendo aquilo. Quero dizer que não fui contente o suficiente. O que é? Você está triste? - Não. Vem cá para eu te beijar. - Viu? eu não disse que você estava triste?! Viu quantas vezes você me beijou?! quando uma pessoa beija tanto outra é porque está triste."
(Clarice Lispector - in "Para não esquecer")
Escrito por Luciana M. às 02h04
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A pedidos, uma atualização!
Ok. Confesso que andei bastante relapsa com este meu pobre blog, mas acho que foi aquilo que os escritores chamam de "bloqueio". Sim, não conseguia mais escrever nada, nada, nada. Nem uma palavrinha sequer. Mas hoje tive umas novas idéias para um romance, já escrevi várias páginas e acho que o tal bloqueio (se é que ele existe) passou. E viva nóis! E faz um puta frio nesta cidade, jésuis amado! E quero desejar boas-vindas ao Lello querido, que volta na terça-feira depois de cobrir os jogos no Pan!
Escrito por Luciana M. às 02h00
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Frio, frio, frio!
Agosto é mês bom. Muitos amigos nasceram nesta época, no meio do friozinho e dos ventos fortes que caracterizam agosto. E este mês representa uma nova etapa no ano. Adoro o segundo semestre! É neste momento que novas oportunidades se criam, profissionais, afetivas, tudo, tudo. E mais: é no segundo semestre que faço aniversário, o ano começa a partir daí, quando o calor começa a voltar. Por enquanto, curto esse frio intenso que se abate por São Paulo estes dias; não reclamo, também aprecio o inverno.
Escrito por Luciana M. às 18h41
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Mais um dia
Depois de longos dias sem escrever uma só palavra neste Chá Dançante, resolvo conectar no blogger e ver o que sai. O que sai é justamente o que está aqui dentro: solidão. É horrível. Tenho medo de voltar ao escuro dos dias e cair em depressão de novo e, pior, sem motivo, sem fator desencadeante. O fato é que faz um ano que estou trabalhando em casa e, como vivo sozinha, passo a maior parte do meu precioso tempo assim: sem falar com (nem ver) ninguém. Não consigo mais escrever um mínimo texto que preste, nem uma tirinha sequer bem-humorada, nem nada, nada. Preciso do convívio com outras pessoas, para me irritar com elas e voltar a produzir. Preciso de alguém pra dividir o café da manhã comigo. Até na revista estava escrito, veja você: a compulsão alimentar fica mais fácil de ser controlada quando fazemos as refeições com outras pessoas também! Não é impressão minha... este monstro assustador está me devorando, hoje, ontem, possivelmente amanhã. Mais um dia.
Escrito por Luciana M. às 19h04
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