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Frase do dia
"Existem duas maneiras de não sofrer. A primeira é fácil para a maioria das pessoas: aceitar o inferno e tornar-se parte deste até o ponto de deixar de percebê-lo. A segunda é arriscada e exige atenção e aprendizagem contínuas: tentar saber reconhecer o que, no meio do inferno, não é inferno, e preservá-lo, e abrir espaço."
(Italo calvino - Cidades Invisíveis)
Escrito por Luciana M. às 13h51
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Feliz Primavera! :)
"Quem falou em Primavera sem ter visto teu sorriso, falou sem saber o que era."
(Cecília Meireles)
Escrito por Luciana M. às 12h32
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É preciso contemplar o infinito
Acredito que o maior problema das grandes cidades é a falta de horizontes. No fim da tarde, ou no meio da madrugada, às vezes é necessário deixar o olhar se perder, ao longe. Por isso que os edifícios fazem sucesso: quanto mais alto o andar, mais perto do céu. Não é à toa que o restaurante do Terraço Itália faz sucesso com os apaixonados, que já olham longe mesmo com a falta de horizonte. Do alto de seu último andar, é possível contemplar o imenso oceano de luzes que brilham na cidade de São Paulo. E, milagre dos milagres, daquela altura não é possível ver a sujeira, o cinza, a violência. Só a distância é capaz de tal mágica. Pessoalmente, nunca visitei o belo Terraço Itália, mas já observei a cidade do alto do trigésimo andar do edifício Copan, que fica ali do lado. Belo e aterrador. É nessas horas, no meio da madrugada, que eu sinto falta de olhar o horizonte perdido. Porque, aqui, quando abro a janela, só consigo dar de cara com um ou dois edifícios. Luzinhas perdidas aqui e ali, barulhos poucos. As pessoas dormem. Eu queria estar no alto de qualquer prédio, para poder avistar a cidade, ao longe, e poder dormir em paz.
Escrito por Luciana M. às 00h27
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Nova cantora na praça
Estou viciada nas músicas da Maria Rita. Por mais que ela evite a comparação, sim, ela se parece muuuuito com a impagável Elis Regina! Sensacionais, ambas! Vale a pena ouvir A Festa, do Milton Nascimento, que a Maria Rita gravou. Tudo.
Escrito por Luciana M. às 14h38
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Tédio
Tédio. Tédio. Tédioooooooooooooo.
Escrito por Luciana M. às 14h49
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Não se esqueça de mim
Parti Precipício quebrado Jogadas roupas, camisas, calças Olhos verdes Olhos pretos Cabelos loiros, ruivos, azuis Pedras que não se encaixam, peças Que não servem para jogar Andanças que não fazem caminhos Cigarros que não funcionam Mandingas que nunca dão certo Bonecos de vodu E uma mulher louca querendo meus ossos quebrados Por quê? Variantes de uma mesma sombra De um passado incerto e entorpecido Gotas pingando em torneiras que nunca se fecham Lágrimas em olhos caídos Um frio de morte que corta a pele Uma pele cinza que enruga com o tempo Um tempo sujo que nunca resolve nada Dá-me uma valsa com apenas três notas Um tiro de misericórdia Ou faça uma festa pra mim Me pegue no colo e diga meu amor eu te amo tanto agora Que poderia morrer de tão feliz Invente uma frase, escreva meu nome, traga-me flores E adjetivos que combinem comigo mas nunca, nunca Esqueça de mim.
Escrito por Luciana M. às 12h34
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As sem razões do amor
Ok, todos concordamos que amar é lindo, mas não é fácil. Isso não significa, porém, que ex-namorados (as) em geral devem agir como aquele cara que matou, ontem, sua ex-namorada, no shopping Center Norte. Concordo com o Marmota e estou aderindo à campanha: seja um ex-namorado consciente! Ela te deu um pé na bunda? Faça qualquer coisa, mas esqueça as armas de fogo. Escreve, meu filho. Vai encher a cara com os amigos. Encontre alguém que te mereça. Mas, pelamordedeus, não vai matar ninguém em nome do amor. O amor não pode ser motivo de morte. Deve apaziguar os corações, e não enlouquecer as mentes. E se eu for ameaçada por algum ex, ou alguma ex do meu ex, já aviso: chamo a polícia. Cadeia neles.
Escrito por Luciana M. às 14h53
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Segunda-feira, ou "O Grito"

Podia ser sempre sábado. Dormir feliz e acordar feliz. Pouco me importar com os horários. Encontrar o namorado lindo e os amigos fofos e discutir filosofia e coisas fúteis da vida. Mas não, a segunda-feira vem, impiedosa. Eu achava, eu acreditava, que trabalhar em casa me livraria do estigma "música do Fantástico", daquele clima de domingo à noite que mata qualquer um. Porque envenena, aos poucos. Eu sei que sim. Mas não, ela está aqui, começando ao meio-dia e meia, porque eu não tive saco nem vontade de acordar cedo para fazer exercícios, para fazer café, para acordar, simplesmente, e olhar aquela imensa sala vazia. Eu não tive saco de acordar às seis da manhã e encontrar todos aqueles rostos felizes e saltitantes na academia. Mas então, ao meio-dia e meia, eu acordei finalmente e percebi que, pelo menos, havia um solzinho. Mas foda-se o solzinho, porque eu não quero sair de casa para encontrar aquele bando de gente apressada e enlouquecida na rua. Aliás, eu não quero nada. Eu achava, eu acreditava que, ao trabalhar em casa, tudo seria diferente. Eu teria uma cachorrinha linda, uma casa nova e grande, um marido, e todos os dias eu ia ser feliz e trabalhar e me transformar numa jornalista em dia com suas obrigações e, mais ainda, uma jornalista que conseguisse levar a vida como freelancer. Lindo. Mas, um mês depois, o marido foi embora, a cachorrinha linda está carente porque eu não consigo dar atenção a ela (mal dou a mim mesma), e trabalhar em casa pode ser um suplício. Porque a casinha linda, de repente, virou um castelo enorme, desprovido de pessoas. Só eu e eu. Eu e o telefone, que, atualmente, só tem ligações de pessoas que me cobram prestações atrasadas e quetais. Verifico minha conta corrente e tenho medo de olhar para o saldo. É possível que apareça uma mensagem gigante, do tipo "você está devendo até a alma! favor entrar em contato com o departamento de cobrança". Ok, é minha vida, vocês podem dizer, foi você quem escolheu tudo isso. Estamos eternamente condenados à nossa liberdade, não é, Sartre? Eu sei, velhinho, eu sei. Mas o fato de termos escolhido não significa que estejamos contentes. Aí eu acordo tarde todos os dias, faço o café, noto que tenho mil contas para pagar e o salário ainda não caiu, constato que tenho umas três matérias para fazer, e ainda tenho esta segunda-feira inteira, inteirinha, aos meus pés, ou ainda como uma espada apontada contra a minha cabeça. Tudo isso pra dizer que preciso mudar de vida. Mas começar por onde? E por quê?
Mas eu sou uma otimista. E, se nada melhor me ocorre no momento, vou citar Peninha: "Amanhã será um novo dia e certamente eu sei que eu vou ser mais feliz".
Escrito por Luciana M. às 13h25
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Amor
"Não te amo como se fosses rosa de sal, topázio ou flechas de cravos que propagam o fogo: te amo como se amam certas coisas obscuras, secretamente, entre a sombra e a alma.
Te amo como a planta que não floresce e leva dentro de si, oculta, a luz daquelas flores, e graças a teu amor vive escuro em meu corpo o apertado aroma que ascendeu da terra.
Te amo sem saber como, nem quando, nem onde, te amo assim diretamente sem problemas nem orgulho: assim te amo porque não sei amar de outra maneira,
senão assim deste modo que não sou nem és, tão perto que tua mão sobre o meu peito é minha, tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho."
(Pablo Neruda, soneto nº XVII)
Escrito por Luciana M. às 00h16
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