Chá Dançante


Caos, caos, caos

Sinceramente, eu não sei como as pessoas, no geral, podem achar lindo acordar cedo todos os dias, enfrentar um mega trânsito, passar o dia todo no ar condicionado no trabalho e depois encarar outro trânsito monstruoso para voltar pra casa. Isso me deprime. A tarde é linda, mas o céu é cor-de-rosa, de poluição. Os colegas são legais e ótimos e bacanas, mas nada compensa esse caos que é São Paulo. Caos. Estou cansada. Quero ver as vaquinhas no interior, tomar leite de verdade, andar tranquila pelas ruas, parar num café... Ok, ok... acho que preciso de férias.

Escrito por Luciana M. às 20h54
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In the Cut

(Aqui, a Meg Ryan em cena do filme, com a cara da Avril Lavigne)

Assisti ao filme In the Cut (Em Carne Viva), aquele em que aparece a Meg Ryan pelada. Nada de mais, as cenas são absolutamente inseridas no contexto. Apesar de a história não ter um roteiro cem por cento sensacional, o mais bacana no filme é a fotografia, e as tomadas, feitas em close, pertinho, luzes maravilhosas. Uma atmosfera poética, melancólica, romântica, até, para uma Meg Ryan perturbada e paranóica.

Ela está constantemente com uma cara fechada, dolorida, como se sentisse algo intimamente. Não sei se foi pura atuação, ou alguma plástica ajudou. O fato é que Ryan passa o filme todo perambulando, meio atordoada, a princípio por sua vida morna, depois por uma série de assassinatos que passam pertinho da sua vida.

Achei bom, no geral. Talvez o roteiro tenha sido tão mutilado que a história naturalmente deixe respostas no ar, o texto solto mesmo, sem algumas conclusões. Por isso o público saiu da sala com aquela cara de "ok, não gostei".

Mas eu gostei. E amei a trilha sonora, muito legal. Alguém aí, me dá o CD de presente que eu tenho que guardar dinheiro! hehe! :)



Escrito por Luciana M. às 21h50
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Mini conto

Pequena história sobre conflitos de amor, ou mini conto para o coração partido do Lello

Ontem eu sabia tudo. Agora, nem sei. Não importa mais.



Escrito por Luciana M. às 13h28
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Poesia Sufi

"Sofreste em excesso
por tua ignorância,
carregaste teus trapos
para um lado e para outro,
agora fica aqui.

Na verdade, somos uma só alma, tu e eu.
Nos mostramos e nos escondemos tu em mim, eu em ti.
Eis aqui o sentido profundo de minha relação contigo,
Porque não existe, entre tu e eu, nem eu, nem tu."

(Jalaluddin Rumi) 

Para quem quer ler mais, clique aqui.



Escrito por Luciana M. às 12h58
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Salve Buk! O grande rei dos bêbados e boêmios de verdade!

"A beginning

When women stop carrying
mirrors with them
everyplace they go
maybe then
they can talk to me
about liberation."

(Charles Bukowski)

(Celinho, querido: peça a tradução para a Laura! Ela gosta de traduzir coisas! hihi)



Escrito por Luciana M. às 21h49
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Limites, guerras, textos: fogos de artifício

Luzes coloridas arrebentam nos céus. Verdes. Azuis. Prateadas. Vermelhas como fogo.
Guerra, as cores da guerra, o sangue pulsando, cada coração é o som de um atabaque.
Quem se importa?
Os homens dormem o sono dos justos, sonham o que conseguem sonhar. A imaginação humana voa além das fronteiras estabelecidas por qualquer horizonte.
É tempo! Grande tempo para o sonho, o devir, o fluir das tempestades, a grande dança das chuvas. O tempo dos mártires acabou. Novo tempo.
A carnificina de eras ancestrais continua, a mesma sede de vingança e (in)justiça, as mesmas velhas ilusões; hoje, tudo travestido por idéias. Divagações. O pensamento voa ao toque dos meus dedos no teclado. O pensamento, a liberdade. A liberdade de ferir o outro por desejo de provocar. A liberdade de escrever: "vigiar e punir".
Uhhh, I´m scared!
Limites, guerras, textos: fogos de artifício no meu horizonte amplo. Espocam, estouram, iluminam, brilham, comovem, machucam, magoam, mas... luzes que são, se desfazem no ar. Como vagalumes. Fogos de artifício, nada mais.

Escrito por Luciana M. às 18h03
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Sweet things of life

Aos queridos e diletos leitores, uma poesia para adoçar a tarde, depois de tanto trabalho! I hope you like it! ;) Lello, meu caro, acho que você vai gostar dessa. É do Augusto dos Anjos.

"A um gérmen

Começaste a existir, geléia crua,
E hás de crescer, no teu silêncio, tanto
Que, é natural, ainda algum dia, o pranto
Das tuas concreções plásmicas flua!

A água, em conjugação com a terra nua,
Vence o granito, deprimindo-o ... O espanto
Convulsiona os espíritos, e, entanto,
Teu desenvolvimento continua!

Antes, geléia humana, não progridas
E em retrogradações indefinidas,
Volvas à antiga inexistência calma!...

Antes o Nada, oh! gérmen, que ainda haveres
De atingir, como o gérmen de outros seres,
Ao supremo infortúnio de ser alma!"

(Augusto dos Anjos)



Escrito por Luciana M. às 19h49
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Evil

"Do Bem que há em você eu posso falar, mas não do Mal. Pois o que é o Mal senão o Bem torturado por sua própria fome e sede? Quando o Bem está faminto, procura o alimento nas cavernas mais escuras, e quando tem sede bebe das águas mais impuras".

(Khalil Gibran)



Escrito por Luciana M. às 20h57
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É tudo verdade. Será?

Alguém aí já ouviu falar em ficção? Pois bem. Muita gente entra neste blog, lê os textos, gosta de uns, odeia outros. Até aí, tudo ótimo e lindo. Palavras servem para isso: causar discussão. Como boa jornalista, gosto das palavras.

Mas é engraçado esse mundo dos blogs... Quem me conhece sabe que arrisco textos literários, porque o jornalismo como o conhecemos é fugaz. Amanhã, tudo o que lemos ontem não terá mais valor, cairá no esquecimento. Até por isso invisto no chamado "Jornalismo Literário", a menina-dos-olhos de qualquer jornalista apaixonado por reportagem, seja ela impressa, em vídeo, em rádio, em qual meio for.

Até por isso nutro especial admiração - ou seria amor? - pelos textos literários. Histórias inventadas. Ficção. Alguém aí já ouviu falar em FICÇÃO?, pergunto de novo. Pois bem. Às vezes escrevo pequenas histórias, contos mínimos, baseados em sentimentos que vejo, ouço e, eventualmente, sinto. Exemplo disso é um texto que publiquei neste blog, com o título de "Sexta-feira".

Não, não estava esperando meu namorado em casa como se fosse uma Amélia dos tempos modernos. Estava inspirada por ter lido uma poesia da incrível Mariana Colasanti, que também falava de sextas-feiras à noite.

Na poesia (leia aqui), Colasanti escreveu versos como estes: "Sexta-feira à noite/ os homens penetram suas esposas/ com tédio e pênis". Será que o homem dela faria isso? Evidente que não. Mas o leitor, ao se deparar com isso, pode ser levado primariamente a pensar: "puxa, ela devia ser uma mulher infeliz".

Tudo isso para dizer que a Arte se confunde, sim, com a realidade, mas não É a realidade. Por isso, caros leitores, levem parte destes textos neste simples blog como ficção, mera ficção. Prometo identificá-los de maneira mais clara, a exemplo do que fez mestre Inagaki em seu Pensar Enlouquece. Depois de escrever textos lindos sobre o amor e suas decepções, Ina deve ter ficado de saco cheio de gente perguntando se ele tinha separado de fato de sua namorada (ótima escritora, aliás!) Suzi Hong. É claro que não separou.

A Arte permite escrever sobre o que está se sentindo, ou sobre o que NÃO está se sentindo.

Na imprensa, como na vida, nem tudo é verdade. É bom ficar atento.



Escrito por Luciana M. às 16h23
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O que é aquele filme?

Assisti ao filme-biografia sobre a poeta Sylvia Plath. Com a Gwyneth Paltrow no papel principal. Já imaginava que a montagem não seria aquilo tudo, mas resolvi conferir. Quem já ouviu falar em Ted Hughes? Mas Sylvia Plath... é possível que os apaixonados por literatura e poesia já tenham lido algo.

Então uma sucessão de clichês: Sylvia e Ted se conhecem e conversam recitando versos. Argh. Sylvia é mostrada como uma louca paranóica cheia de ciúmes, e Ted, como um pobre homem vítima da situação.

Sylvia passa as tardes fazendo infinitos bolos, em vez de escrever. Ted escreve e publica livros. Sylvia piora, enlouquece, pensa em se matar. Juntos, têm dois filhos. Ela está só, com um marido ausente.

Mas era SÓ isso sua vida? Ou será que tudo isso contribuía para que ela escrevesse alguns dos poemas e textos mais pungentes da literatura anglo-americana?

Sim, ela de fato tinha uma depressão profunda, e claramente sua vida foi marcada pela dificuldade de se adaptar a qualquer coisa. Mas daí a mostrar Ted Hughes, poeta menor, como um pobre-coitado, e Sylvia como uma louca ciumenta é demais.

Fora que a Gwyneth Paltrow, sinto muito, não convenceu. E onde estavam os poemas mais lindos de Sylvia? Filme ruim, história ruim e controversa.

Sylvia não se matou por causa de Ted Hughes. Matou-se porque não via mais sentido na vida. E é preciso muita coragem para chegar a esse ponto. Ciúme, traição, espera, desejo, amor, tudo fica menor se não há algo além a se buscar. Infelizmente, às vezes não há mesmo. Mas eu sou uma otimista, acredito na vida e no poder de mudar as coisas. Sylvia negou-se a acreditar, e talvez tenha sido melhor assim.

Abaixo, uma pequena mostra do talento de Sylvia. É uma das coisas mais belas que já li.

Criança

(Sylvia Plath)

"O olho claro é a coisa mais bonita em você.
Quem dera enchê-lo de patos e cores,
Zôo do novo,
Nomes em que você pensa –
Campânula-de-abril, Cachimbo-de-índio,
Pequenino
Caule sem espinhos,
Lago em cujas margens, imagens
Pudessem ser clássicas e imensas
Não esse tenso
Torcer de mãos, esse teto
Escuro e sem estrela".



Escrito por Luciana M. às 16h05
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Você vê como é a vida, menina?

Só uma coisa: ainda bem que esse inferno de semana passou.

Só mais uma: chocolate da Kopenhagen vicia! Né ? Smaack!



Escrito por Luciana M. às 02h48
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Do amor, segundo Neil Gaiman

Quem me mostrou esse texto foi mestre Inagaki, há algum tempo, quando este blog ainda atendia em outro endereço. Guardei nos meus favoritos, porque é uma verdadeira preciosidade escrita por outro mestre, o Neil Gaiman. Aquele do Sandman.

"Você já amou? Horrível, não? Você fica tão vulnerável. O peito se abre e o coração também. Desse jeito qualquer um pode entrar em você e bagunçar tudo.

Você ergue todas essas defesas. Constrói essa armadura durante anos, pra que nada possa causar mal. Aí, uma pessoa idiota, igualzinha a qualquer outra, entra em sua vida idiota. Você dá a essa pessoa um pedaço seu. E ela nem pediu. Um dia, faz alguma coisa boba como beijar você ou sorrir.

E, de repente, sua vida não lhe pertence mais. O amor faz reféns. Ele entra em você. Devora tudo o que é seu e te deixa chorando no escuro. Por isso, uma frase simples como 'talvez a gente devesse ser apenas amigos' ou 'muito perspicaz' vira estilhaços de vidro rasgando seu coração.

Dói. Não só na imaginação ou na mente. É uma dor na alma, no corpo, uma verdadeira dor que entra-em-você-e-destroça-por-dentro. Nada deveria ser assim. Principalmente o amor".

(Neil Gaiman)



Escrito por Luciana M. às 16h49
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Tempo de chocolate

E eu ainda não comprei NENHUM. Tô ficando velha. Humpf.

Escrito por Luciana M. às 20h25
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Árvore, de Sylvia Plath

"Fui ao fundo - ela diz. Sei pela minha raiz mestra:
É o que temias.
Eu não temo: já estive lá.

 

É o mar que em mim escutas,

E seus desassossegos?

Ou a voz do nada, não era essa tua loucura?

 

O amor é sombra larga. 

Como em mentes e em seu encalço choras

Ouça: estes são seus casos: disparou como cavalo.

 

Noite afora galoparei assim, impetuosamente

Até tua cabeça virar pedra e o travesseiro a relva,

Ecoando, ecoando.

 

Ou devo te mostrar o som dos venenos?

É a chuva agora, aquietando.

E este é seu fruto: metálico como arsênico.

 

Sofri as atrocidades dos poentes.

Escorchados à raiz

Meus filamentos rubros secam e estendem dedos de arame.

 

Agora me desfaço em pedaços que voam como paus.

Uma ventania dessa violência

Não suporta nada ao redor: preciso gritar.

 

A lua também não tem pena: me arrastaria

Cruelmente, mirrando-me.

Sua radiância me lesa. Ou quem sabe se a captei.

 

Deixo que se vá. Deixo que se vá

Diminuída e chocha como se após cirurgia radical.

Como teus maus sonhos me possuem e obsedam.

 

Um grito mora em mim.

À noite, ele se afoita,

Procurando com suas presas algo para amar.

 

Essa coisa preta me aterroriza

Dormitando em mim

O dia inteiro sinto seu retorcer fofo, suas felpas, sua malignidade.

 

As nuvens passam e se dispersam.

São aquelas as faces do amor, aquelas pálidas irremediáveis?

Para isso é que meu coração se turba?

 

Não sou capaz de outro reconhecer.

O que é isto, este rosto

Tão criminoso em sua sufocação de galhos?

A insídia de seus ácidos beija.

É o que petrifica o querer. São falhas isoladas e tardonhas

Que matam e matam e matam."



Escrito por Luciana M. às 13h55
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Tudo o que eu quero

Eu sei que muita gente não gosta de ver coisas escritas em inglês (né Celinho?) mas não posso fazer muita coisa... Hoje está um dia lindo lá fora, eu tenho um monte de trabalho para fazer, e eu só queria sair e passear um pouco, ver um filme, estar perto de quem eu gosto.

Mas eu não posso, porque os dias são um inferno. O trabalho não acaba nunca, e nem sempre é bom. Não tenho tempo de fazer o que eu gosto, mas do que eu gosto, mesmo?

Por isso eu ouço muitas músicas, e a de hoje é All I Want, da Joni Mitchell.

"(...) I am on a lonely road and I am traveling
Looking for the key to set me free
Oh the jealousy, the greed is the unraveling
It's the unraveling
And it undoes all the joy that could be
I want to have fun, I want to shine like the sun
I want to be the one that you want to see
I want to knit you a sweater
Want to write you a love letter
I want to make you feel better
I want to make you feel free (...)"



Escrito por Luciana M. às 11h23
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Divagando sobre o tédio

Têm feito dias bonitos. De manhã eu não funciono, sou inteira sono e vontade de tomar café. Depois do almoço, penso (todo dia), "agora vou fazer tudo o que preciso". E aí, não faço. É o barulho da casa, ou a ausência dele; o telefone que toca, ou a ânsia de esperá-lo tocar. As matérias por fazer, o livro-reportagem, as entrevistas para dissecar, as telas para colorir, os amigos no computador, os beijos internáuticos, tudo isso.

Aí, o tédio. E, invariavelmente, o sono. Se estivesse num escritório, e não trabalhando em casa!, não seria diferente. Só tomaria mais cafés. E olharia menos a janela cheia de grades de segurança. Mas haveria piadas com os colegas toscos, é a parte boa dos escritórios.

Mas haveria chefes me olhando e cobrando coisas. Aqui não tem isso. Só o tédio de me cobrar.



Escrito por Luciana M. às 15h27
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